
PROJETO AFRICANIDADES
ÁFRICA E BRASIL:
UM ELO CHAMADO BAHIA
Marco Antonio Santana Carneiro
EUCLIDES DA CUNHA – BA
2010
JUSTIFICATIVA:
Este projeto tem por finalidade a busca incessante das relações culturais existentes entre África e Brasil, associada à importância da matriz africana na constituição e formação do povo brasileiro. Fazer conhecer o Continente Africano e estabelecer laços de pertencimento com o Brasil se processa, também, a partir de estudos e critérios adotados no universo “escola” quando são viabilizadas oportunidades de descobertas e construção de propósitos para fatores históricos, políticos e culturais, que sempre envolveram esses países. Sabe-se de toda a trajetória do negro ante a construção da nossa identidade nacional e, assim, através do que regulamenta a Lei 10639/03 é necessário que sejam (re)discutidas as infinitas possibilidades de (re)significação de “olhares”, dantes relegados. Assim, mister se faz focar aspectos múltiplos, que nos foram deixados como legado de um povo que marca, de geração à geração - através de suas lutas, sofrimentos, resistência e valores – as conquistas que o fazem forte e determinado. Povo esse que somos NÓS.
OBJETIVO GERAL:
Fomentar, através de estudos e construção de oficinas didáticas, o conhecimento acerca do Continente Africano e as suas relações com o Brasil, bem como as heranças deixadas ao longo dos anos, refletidas no processo de pertencimento da nossa terra, dos nossos saberes, do nosso povo.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Valorizar a matriz africana e sua contribuição para a formação da nossa identidade;
- Promover momentos de discussão sobre o que regulamenta a lei 10639/03 e os seus reflexos na sociedade moderna;
- Possibilitar reflexões, acerca do negro, quanto aos valores trazidos e impregnados na vida histórica e cultural do povo brasileiro;
- Travar discussões sobre o processo de valorização da personagem negra na nossa constituição histórica;
- Analisar aspectos sócio, econômicos e culturais que interferem de maneira positiva quanto à preservação dos “bens imateriais” advindos da cultura negra;
- Valorizar as produções literárias da cultura africana, bem como a sua contribuição enquanto instrumentos de reflexão no universo da leitura;
- Estimular a produção artística nas esferas teatrais, literárias, musicais e plásticas a fim de valorizar inúmeras outras possibilidades de leituras;
- Promover mesas de discussões com temas relacionados à questão do preconceito racial, da intolerância religiosa e do papel da mulher negra na sociedade;
- Oportunizar a disseminação dos valores históricos, sociais, culturais e morais que acompanham o negro na sua trajetória de buscas e conquistas.
REVISÃO DA LITERATURA:
Àyànmó mi nì láti jê oba!
(Meu destino é de ser rei)
A presença negra na história da constituição do povo brasileiro se faz atrelada aos mecanismos étnicos, sociais, históricos e culturais advindos da chamada Mãe África.
Numa trajetória dorida, o negro atravessa o Atlântico através de circunstâncias ilícitas deixando para trás a presença viva de seu povo, de sua terra. Porém, traz consigo, incrustado no seu sangue, todo o arcabouço humano e cultural que permanece vivo até sempre; ainda que através de mecanismos tratados, segundo mitos perversamente incutidos em seu povo, de que deixando sua terra deixaria ali também, as suas origens, suas crenças, seus pilares culturais e humanos.
Há quem cite sobre a “árvore do esquecimento”, um ritual que marca a rudeza e o descaso para com um povo tratado à chibatadas e desdém. A essa árvore é atribuído o ritual de insistentes voltas em torno de si a fim de que o povo africano, ao deixar a sua terra, e embarcar nos navios negreiros, esqueceriam por completo todos os seus valores culturais e humanos, partindo em busca do “novo”.
A prova maior dessa falácia é que o povo negro ainda hoje, sustenta de maneira resistente e determinada os seus valores, que são heranças herdadas pelo povo brasileiro no seu processo de formação.
Das lutas, desde a chegada às Américas, o povo negro caminha num processo de evolução que surge dentro das famigeradas senzalas, atravessa os quilombos e culmina com a liberdade; momento determinante e de certa forma, intrigante e gerador de grandes dificuldades para o enfrentamento de uma nova vida, haja vista o preço que se pagava por essa tal “liberdade”, já que a partir de então, livre, sem emprego e sem moradia se dá início a um novo processo de resistência – marca constante na história do povo africano.
Ao recorrermos à história percebemos que a origem dos escravizados no Brasil não é tão conhecida. É importante que no trato com as questões que envolvem a África sejam considerados aspectos de grande pluralidade cultural, e assim ficarmos atentos à consideração de Áfricas e não África. Toda essa riqueza, é certo, veio para o Brasil ainda que não saibamos dimensionar isto de forma precisa.
As marcas das culturas africanas na formação e consolidação do Brasil é vastíssima, se reporta a tempos antigos e pode ser constatada nas mais diferentes dimensões da formação social brasileira presentes na linhas de produção econômica, nos aspectos artísticos, no desenvolvimento tecnológico, na política, nas crenças e valores, na contribuição imperativa das marcas lingüísticas, na construção do nosso espaço.
Essa herança, por muito, sofreu tentativas de no intento de ser apagada pelas classes dirigentes brasileiras, assim como a tentativa de exterminar física e culturalmente a presença africana. No entanto, apesar de todas essas atrocidades: exclusão, desemprego, assassinatos, da miscigenação, a herança é de uma vastidão imensurável que as Áfricas permanecem vivas nas inúmeras dimensões da vida do povo brasileiro até os dias atuais.
Ao considerarmos todas as manifestações e lutas brasileiras no sentido de buscas, conquistas e reconhecimento da importância de negro para a nossa não, o Movimento Negro no Brasil, iniciado em 1980, tem grandioso significado quanto às suas propostas e ações assim, segundo João Jorge Santos Rodrigues:
A ação cultural do Movimento Negro agora é formada do capital das políticas públicas permanentes de um estado tradicionalmente adverso a dar apoio aos negros e muito menos à cultura por nós produzida. Neste contexto, somos todos obrigados a caminhar e cantar as profecias da Revolta dos Búzios (1798): “Há de chegar o tempo em que seremos todos iguais, todos irmãos.”” (RODRIGUES, in GARCIA. 25 anos do Movimento Negro no Brasil, 2005)
É indiscutível os avanços existentes ante ao processo de conscientização, valorização e cidadania considerando essa temática; Desse modo, o que regulamenta a Lei 10639/03 deve ser visto como uma determinação de grande valia para que tenhamos, através do universo ESCOLA, maiores subsídios para a difusão da nossa verdadeira identidade, constituída nos lastros do conhecimento, do reconhecimento, dos valores constituintes do nosso povo e de todas as gerações que virão conscientes do verdadeiro processo de humanidade e cidadania, quando então um só hino à humanidade será entoado trazendo numa só voz o refrão:
Èmi ní ayò púpò!
(Eu tenho felicidade)
OPERACIONALIZAÇÃO:
O Projeto será desenvolvido a partir do envolvimento de todos os Professores, de todas as Áreas, com vistas na elaboração e execução de oficinas didáticas.
Assim, a partir do processo de conscientização e incentivo, estudos, discussões e criação de oficinas, a UEE será envolvida durante a 1ª semana de aula do ano letivo de 2010, quando da sua culminância serão realizadas apresentações de stands para toda a Comunidade Euclidense.
ÁREA DE LINGUAGENS
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Reconhecer a importância da herança africana deixada para a constituição da nossa língua;
- Harmonizar-se com expressões da língua iorubá, que circulam em nossa sociedade;
- Conhecer a literatura africana e suas contribuições à nossa arte literária;
- Valorizar a poesia africana de língua portuguesa e suas abordagens temáticas;
- Considerar a natureza formadora dos contos africanos infantis e a sua utilização no fomento ao processo leitor;
- Valorizar expressões artísticas como sendo manifestações que mantém laços estreitos com a cultura africana;
- Observar e analisar as influências na música e na dança
- Promover uma relação amistosa (simbólica) através das práticas esportivas, em detrimento do momento em que o mundo se volta à África do Sul, por conta da Copa 2010.
ÁREA DAS CIÊNCIAS HUMANAS
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Estudar aspectos históricos e geográficos da África e do Brasil;
- Identificar valores históricos e culturais no processo de formação do nosso povo;
- Abordar sobre personalidades negras que foram destaque, em ambos os países, nas mais diversas áreas do conhecimento;
- Discutir a temática abordada pelo Movimento Negro Unificado – MNU
- Reconhecer a importância da Mitologia Africana como fonte filosófica de reflexão, ante aos valores éticos e morais;
- (Re)discutir o processo de herança e formação religiosa com vistas no mecanismo de desmistificação dos esteriótipos criados pela nossa sociedade.
ÁREA DAS CIÊNCIAS DA NATUREZA
OBJETIVOS ESPECÍFICOS:
- Despertar o interesse quanto ao levantamento de curiosidades que permeia o mundo da astronomia, arquitetura, medicina, matemática entre outros, considerando o papel do povo africano nestas áreas do conhecimento;
- Analisar e discutir a importância das construções faraônicas, como legado para a humanidade;
- Perceber a o significado da estrutura matemática e sua influência para a organização social de um povo;
- Analisar e discutir as contribuições africanas para a área da medicina, bem como os valores atrelados à medicina natural;
- Valorizar os ensinamentos relacionados à flora africana e suas ramificações para a crendice do nosso povo;
AVALIAÇÃO:
O processo avaliativo ocorrerá mediante a observação do envolvimento, participação, compromisso e atuação de toda a Comunidade Escolar, no decorrer das atividades considerando ainda a noção de responsabilidade e respeito do próprio labor humano.
CULMINÂNCIA DO PROJETO:
CRONOGRAMA:
| DD/MM/AA | 16/11/2010 | 17/11/2010 | 18/11/2010 | 19/11/2010 |
| Dia semana | Terça | Quarta | Quinta | Sexta |
| ATIVIDADES | Estudos, Discussões, Elaboração de Oficinas. | Mostra Interna dos stands | Mostra à Comunidade | Mostra à Comunidade |
REFERÊNCIAS:
AMADO, Wolmir J.; BERTAZZO, José; ALDIGHIERI, Mario; LOPES, Suely F. A religião e o negro no Brasil. Loyola, São Paulo: 1989.
GARCIA, Januário. (Org.) 25 anos Movimento Negro no Brasil. Fundação Cultural Palmares. Brasília: 2006.
GASPAR, Eneida D. (org) Guia de Religiões Populares do Brasil.Pallas, São Paulo: 1998.
MELLO, A. da Silva. Estudos sobre o negro. José Olympio, São Paulo: 1958.
NASCIMENTO, Abdias do. O negro revoltado. Nova Fronteira, São Paulo: 1982.
NETO, Ageu. Ser ou não ser negro, Do Autor, São Paulo: 1992.
PRANDI, Reginaldo. Mitologia dos Orixás. Companhia das Letras, São Paulo: 2007.
RIBEIRO, Esmeralda; BARBOSA, Márcio (org.) Cadernos Negros, volume 30: contos afro-brasileiros. Quilombhoje, São Paulo: 2007.
RODRIGUES, Nina. Os africanos no Brasil. Madras, São Paulo: 1994.
SANTOS, Luiz Carlos dos. Antologia da Poesia Negra Brasileira. Salamandra, São Paulo: 2006.
SOARES, Cecília C. Moreira. Mulher Negra na Bahia do Século XIX. EDUNEB, Bahia: 2007.